Greve na Viação Real entra no segundo dia e afeta 14 linhas de ônibus no Rio
Paralisação atinge trajetos no Centro, Zona Sul e Zona Sudoeste; sindicato aponta salários e benefícios atrasados
Foto: Reprodução/TV Globo A paralisação dos motoristas e demais funcionários da Viação Real chegou ao segundo dia nesta terça-feira (23) e continua impactando o transporte público no Rio de Janeiro. A empresa opera linhas que atendem o Centro, a Zona Sul e a Zona Sudoeste da cidade.
Segundo levantamento divulgado pelo Centro de Operações e Resiliência do Rio (COR-Rio) na manhã desta terça (23), nove linhas seguem totalmente paradas, enquanto outras cinco operam de forma parcial.
De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, a greve foi deflagrada após o não pagamento de salários, vale-alimentação, FGTS, férias e outros direitos trabalhistas. A categoria afirma que só retomará as atividades após a regularização total das pendências.
“Os trabalhadores estão irredutíveis. Só voltam quando tudo for pago. A situação é muito preocupante”, afirmou José Carlos Sacramento, vice-presidente do sindicato.
Na noite de segunda-feira (22), apenas duas linhas da Viação Real — a 315 (Central–Recreio) e a 163 (Terminal Gentileza–Copacabana) — operavam parcialmente, por meio de um acordo com outras empresas. As demais permaneciam fora de circulação.
O presidente do sindicato, Sebastião José, destacou que os problemas vão além dos salários atrasados. Segundo ele, há férias não pagas desde outubro, além de atrasos em FGTS e INSS desde junho. Ele também afirmou que valores descontados em folha para pensões alimentícias e empréstimos consignados não estariam sendo repassados às instituições financeiras.
Durante a manhã de segunda-feira, funcionários da Viação Vila Isabel chegaram a ensaiar uma paralisação, mas a greve foi suspensa após negociação. Com isso, linhas como a 433 (Vila Isabel–Copacabana) e a 548 (Metrô Botafogo–Terminal Alvorada) voltaram a circular parcialmente.
Enquanto o impasse continua, passageiros enfrentam dificuldades para se deslocar para o trabalho e outros compromissos na cidade.
Linhas afetadas
Paralisadas:
108 (Jardim de Alah x Terminal Gentileza)
110 (Terminal Gentileza x Jardim de Alah)
112 (Terminal Gentileza x Gávea)
SV112 (Terminal Gentileza x Gávea – expresso)
222 (Vila Isabel x Gamboa)
432 (Vila Isabel x Gávea)
439 (Vila Isabel x Leblon)
463 (São Cristóvão x Copacabana)
538 (Rocinha x Leme)
Circulação parcial:
163 (Terminal Gentileza x Copacabana)
309 (Central x Terminal Alvorada)
433 (Vila Isabel x Siqueira Campos)
460 (São Cristóvão x Leblon)
548 (Metrô Botafogo x Terminal Alvorada)
Medidas e alternativas
Para reduzir os impactos aos passageiros, a Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) recomenda o uso de metrô, VLT e BRT como alternativas. A pasta também solicitou reforço na operação de linhas municipais que atendem trajetos semelhantes aos das linhas paralisadas.
Entre as linhas reforçadas estão:
107 (Central x Urca)
109 (Troncal 9 – Santo Cristo x São Conrado)
161 (Terminal Gentileza x Ipanema)
169 (Terminal Gentileza x General Osório)
232 (Lins x Castelo)
409 (Saens Peña x Horto)
410 (Saens Peña x Gávea)
435 (Grajaú x Gávea)
552 (Integrada 2 – Terminal Alvorada x Rio Sul)
583 e 584 (Cosme Velho x Leblon)
O que diz a empresa
Em nota, a Viação Real negou que a paralisação esteja relacionada a atraso no pagamento de salários ou benefícios. A empresa afirmou que os salários dos funcionários ativos estão em dia, assim como as duas parcelas do 13º salário, e que o vale-alimentação foi devidamente creditado.
Já o Rio Ônibus informou que o Consórcio Intersul trabalha para restabelecer integralmente a operação. Segundo a entidade, apesar de parte da frota já estar circulando, a atuação de piqueteiros tem dificultado a saída dos ônibus das garagens, atrasando a normalização do serviço.
O sindicato informou ainda que o consórcio mantém diálogo com a SMTR para viabilizar um plano emergencial de realocação das linhas e espera que a operação seja totalmente retomada ainda nesta terça-feira.




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